OS POSITIVOS

novos analfabetos

« não passamos das fracas categorias filosóficas »

Pau. Um.

Imersos no "presentismo" e sujeitos à lógica da aceleração, é a própria categoria de futuro que perde a sua antiga validade - uma condição que tem dado azo a que se anunciem lutas entre gerações, em substituição da lutas de classes.
in "O novo analfabetismo" 15 fev 2019

Terminámos leituras no Electra #4 e publicaremos amanhã o resumo do essencial a reter: será rápido. Fica um teaser retirado da crónica de AG de hoje:

"Populismo" e "populista" deixaram há muito de ser conceitos, tornaram-se até o contrário disso: são palavras comuns, demasiado comuns, que se dilataram demagogicamente, ao ponto de já não significarem nada.
in "O novo analfabetismo" 15 fev 2019

Amanhã. Hoje, falemos de outros amanhãs, por anúncios feitos ontem: vencedor dos 500 paus da Chilli: "All Watched Over by Machines of Loving Grace" 2019. Porque palavras não partem ossos seguem-se primeiras impressões ao anúncio parafraseando ainda acções paralelas ocupadas de crises. Se não é óbvio, reforçamos já: hoje só falamos de BD.

…Pela volta maior, "por mais firmes que sejam os nossos princípios morais e sem vacilações na nossa honestidade".

Preâmbulo: analfabetos, tecno-imagens, pós-história.

Exceptuando uma elite, a grande maioria dos utilizadores dos computadores e de todos os aparelhos de inteligência artificial se encontra numa situação de analfabetismo, mesmo quando tem treino suficiente para se mover com desenvoltura no mundo informático e executar todas as operações de que necessita. Uma elite detentora de um saber hermético projecta modelos de conhecimento e usa códigos e mecanismos de programação que todos nós aprendemos a seguir, mas não os sabemos ler.
in "O novo analfabetismo" 15 fev 2019

AG enuncia Vilém Flusser (1920-1991), "teórico da ‘civilização dos media’" para equiparar "o nosso analfabetismo" com "crise da programação":

Ele atribui a crise da programação a uma evolução no tipo de objectos mediáticos que circulam na nossa época. Na sua explicação, opõe um período "histórico", ao longo do qual a comunicação era dominada por mensagens alfabéticas, compostas por letras dispostas em cadeias lineares, formando frases articuladas por uma certa lógica, a um período "pós-histórico", aquele em que estamos a viver, caracterizado por um desenvolvimento cada vez mais forte de comunicações baseadas em tecno-imagens que nos deixam imersos num universo mediático muito diferente daquele que funcionava segundo o regime dos discursos alfabéticos.

As tecno-imagens, são audiovisuais e não linguísticas, são mais sensíveis do que lógicas, e opõem-se tanto aos textos lineares quanto às imagens tradicionais.

As gerações mais jovens, já não completamente alfabetizadas, como tinham sido as gerações anteriores, [estão] em vias de conquistar este novo território, passando da história à pós-história.

E este será o primeiro assalto que temos conhecimento em bd pt a esse novo território. Uma antologia sobre "a Revolução Digital, também chamada de terceira revolução industrial", "nome dado ao processo de substituição da tecnologia mecânica/ analógica pela tecnologia electrónica/ digital". Mashup:

A criação da world wide web e por consequência de um Cyberespaço a escala global, intensificou a velocidade, o alcance e o ritmo da informação gerada em todo o mundo. O futuro parece caminhar no sentido de se tornar cada vez mais imaterial e a imagem de uma conversa entre dois seres conscientes, um feito de carne e osso e o outro de circuitos e placas de alumínio, está cada vez menos distante.

Esta antologia foi seleccionada pela temática pertinente para os tempos que correm e com a abertura suficiente para se realizarem trabalhos de cariz especulativo e de reflexão sobre a Internet, o mundo digital, a interpenetração entre real e virtual, isolamento, excesso e manipulação de informação, apatia, controlo, redes sociais, alienação, entretenimento, etc...
in "Vencedor 500 paus 2019" 14 fev de 2019

Algumas participações:

  • André Pereira se destaca pela positiva devido aos diversos aspectos que foca como o controlo de conteúdos, automatização dos mecanismos de regulação, vigilância e pressão social por parte das redes sociais e como consequentemente tudo isso acaba por estar intimamente relacionado com o capitalismo e as suas múltiplas configurações;
  • Vasco Ruivo consegue explorar uma estética surrealista quase vaporwave invocando uma "interzona" entre o real e o digital.
in "Vencedor 500 paus 2019" 14 fev de 2019

Soa artsy. Mas "gosto-gosto-gosto": cruzam os dois formatos. A acompanhar um livro de 104 páginas prometem uma experiência digital (*).

A antologia vai ter presença digital na forma de uma plataforma que pretende desafiar os visitantes com uma experiência diferente. Aqui, o mundo digital e o mundo real surgem numa experiência colaborativa. Um paralelismo entre duas realidades que ilustra o quanto a diferença entre real e virtual é cada vez menor.
in "Vencedor 500 paus 2019" 14 fev de 2019

*) Sem mais detalhes no anúncio - como se terás de pagar por essa também. Também aqui veremos quanto a diferença entre real e virtual é cada vez menor.

Voltamos a novos ((an)al)fabetos para conclusões – prematuras e preconceituosas, OS POSITIVOS ™, temos camadas – porque...: aquilo da primeira salva em hostilidades de lutas geracionais, essencialmente. Um antes e depois, nós e eles, linhas que são simultaneamente limites e passagem.

Dos velhotes:

Neste sentido, analfabeta é precisamente a geração alfabetizada, mas que nunca conseguirá sentir que o seu habitat natural é este mundo das tecno-imagens, caracterizado por mecanismos de programação: programação das próprias imagens e programação dos espectadores e dos produtores destas imagens.
in "O novo analfabetismo" 15 fev 2019

Dos novos, nova crise.

Os novos aparelhos foram inventados para funcionar automaticamente, sem a intervenção humana. Assim, o homem começa a ficar fora do circuito.
in "O novo analfabetismo" 15 fev 2019

Estivemos aqui há 3 anos. Folks, então? Get with tha program.

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