OS POSITIVOS

o irresistível declínio dos media tradicionais

Electra #4 em acelerado, dossier jornalismo. Da restante revista resumimos com cite da entrevista de AG a Alexander Kluge:

Como é que o nacional-socialismo emergente pode ser vencido com os meios da filosofia? Se a filosofia não é capaz, não precisamos dela para nada.

Isso. Já no registo às teses saltamos par de 'tugas - nothin' to write home about - e fechamos nas duas que mais importam. Primeira, de onde rippamos título que hoje recortamos: entrevista a Joshua Benton, director do Nieman Lab que todos os finais de ano nos serve ao estado da arte, "O irreversível declínio dos media tradicionais" 2019. Ao contrário de Carla Baptista, mais sensível às nossas sensibilidades: power to tha peeps.

No modelo antigo se queríamos que a nossa mensagem chegasse às pessoas, tínhamos cada um de ter a sua rotativa, ou a sua torre emissora, o que exigia um grande investimento de capital. Por isso apenas um pequeno número de pessoas tinha verdadeiramente acesso ao grande público. Vem a web, que criou esta enorme oportunidade de fazer chegar às pessoas uma informação nova e óptima, e muita gente pensou: «Isto é fabuloso, isto é a democratização da imprensa».

Para quem é um consumidor activo e interventivo de informação, estamos no melhor período da história da humanidade. Tem-se acesso a mais e melhor informação do que em qualquer outra época da história.

Meanwhile...:

A época dos «meios de comunicação social», em que as massas tinham acesso a uma informação completamente subsidiada e com o mesmo nível de qualidade — essa é que é a excepção. Sempre houve uma diferença entre a quantidade de informação e de saber que está disponível para os ricos e os pobres, para os que, por motivos profissionais, precisam de saber tudo sobre o resto do mundo e para os que não precisam, para quem tem acesso ao poder e para quem não tem. E acho que em muitos aspectos estamos a regressar a essa época.

Tudo o que estava metido no mesmo saco, e só se podia vender assim, separou-se.

A pessoa posicionada no percentil 90 vai ter de pagar as assinaturas online de vários jornais, já subscreveu dez newsletters por email, ou tem uma lista de contas fiáveis do Twitter, contas de pessoas inteligentes nas suas áreas de interesse;  e a pessoa no percentil 10 estará provavelmente a jogar Candy Crush no telemóvel. O fosso que separa a pessoa muito bem informada da pessoa menos informada, aumentou; e é nesse sentido que há um regresso a uma época pré-massificação, antes de a publicidade ter permitido a criação dos meios de comunicação de massas.

...and back again:

Não há só um jornalismo — há centenas de milhares. Se a ideia é estabelecer parâmetros para o trabalho que uma empresa jornalística se propõe fazer, estabelecem-se parâmetros. Mas há-de haver sempre quem escolha outros parâmetros, ou quem não queira parâmetros nenhuns.

Segunda peça a reter: populismos et mediarquia.

we're waitin'