OS POSITIVOS

foder o próximo

lord-iz-a-come

Mesmo café, mesma conversa, outras bocas a vociferar os sons da irritação — devemos mudar de poisos? Que o sistema imunitário das pessoas é perfeito porque deus o fez, que as vacinas irão deixar as crianças inférteis ou pior, que os seus pais são horrendos e deverão ser culpabilizados, que não têm nada contra o tropa que só segue ordens mas tudo não passa de um plano do Estado para lhes tirar a liberdade e o dinheiro. Se não ouvimos “ovni” compensaram com “ai jesuses” suficientes para o sobrenatural que vem de cima. Impossível passar-vos nestas linhas a emoção na convicção dos oradores, plural, plateia de cinco ou seis adultos, e respectivos apêndices a esgueirarem-se inquietos por todo o lado ou intercambiáveis pelo colo de qualquer um, indiferentes ao conluio-em-curso. Gentinha mesquinha e maldosa, ainda os ouvi discutir como passarão um qualquer prejuízo a quem aldrabarão num negócio a fazer, com a devida ressalva, “nunca faria isso a alguém da família claro”. Recordam-me quem vendeu a casa sabendo que essa tinha reparações custosas escondidas de vista, sabendo que os futuros donos não poderiam pagar a surpresa no correio, pudessem estariam à procura por bairros melhores. Também não as podia pagar, mãe de três pequenos com o salário por mínimos, ao contrário desta amostra, gente de posses que findada a aldrabice iriam desfazer-se do espólio em futilidades e férias à vista, e aqui a conversa volta aos confinamentos arquitetados da ditadura socialista, essa corja que tenta quebrar a vontade das pessoas de bem que são. A podridão é transversal, mas porque são sempre as de bem piores que os outros? Porque têm a opção.

Não terei saudades do meu fellow man.
Talvez haja esperança para os following boys & girls,

A minha mais velha chega-me um dia divertida porque uma sua prof choné explicou aos meninos na aula que “há a direita e a esquerda e a esquerda quer acabar com o natal”, que o menino jesus aconteceu mesmo porque ela o estudou muito na escola e quando forem grandes nunca mas nunca devem votar na esquerda. Agradecidos à professora choné, eles estão numa idade impressionável, ao contrário: farão o oposto do que lhe dizem numa sala de aula por maluquinhos por cristo, melhor imunidade de grupo não podíamos desejar. Crescerão cépticos e duvidarão das autoridades porque quererão ver a ciência atrás da razão, não porque farão (autos de) fé na falta dela. Talvez assim se quebre esse ciclo. Alegria.

alegres