OS POSITIVOS

alienados em slow motion

desilusões crónicas

Sem tempo ou o que fazer dele, mas o que entra ao campo de visão não podemos deixar de ver: AG, com um título de que podíamos enredar por outras histórias, "A sexta-feira menos negra" 03 dez 2021. Neste domingo mais lento, reflexão por palavras do sociólogo e "vedeta universal da sociologia" Hartmut Rosa com espaço a conclusões de Alex Williams e Nick Srniceck por manifestos no "aproveitar o que há de bom no capitalismo e deixá-lo chocar contra os seus próprios limites", ie, "alienarmo-nos exaustivamente até que a alienação se extinga por força de um mecanismo que conduz as coisas para além do seu próprio fim":

Enquanto membro da última geração da Escola de Frankfurt, o autor recupera esta questão de Adorno: como construir uma “boa vida” no seio da vida má, da vida mutilada, isto é, alienada. (...) Um dos contributos maiores deste sociólogo é o de nos fazer perceber que uma das maneiras de examinar a estrutura e a qualidade das nossas vidas é concentrarmo-nos sobre motivos temporais. Por isso é que há uma “má vida” que atinge hoje também a burguesia endinheirada, que tem um salário altíssimo, mas nunca tem tempo. A falta de tempo tornou-se um castigo infligido a todos. Excepto aos desempregados, para quem todo o tempo que têm passou a ser tempo excedente. Quando a regra em que vivemos é a falta de tempo, ter tempo é uma falha insuportável e até inocula culpa a quem dele usufrui. Ter tempo para além dos períodos calendarizados e codificados do lazer é sentido como um pecado.
in "A sexta-feira menos negra" 03 dez 2021

Hail Satan. Mas alienados não, cínicos. Porque pragmáticos, pouco dados a "uma boa dose de beatitude e de anacrónicas ilusões", não somos de esperar pelo chifrudo nas encruzilhadas. Se andamos ausentes é porque talvez tenhamos encontrado um canto onde fechar os olhos, abrir braços à jesus e deixar-nos cair para trás no infinito, com um sorriso de lado a lado que apenas um ermita anti-social nas suas sete quintas (muradas pelo dono anterior) esboça por saber que lança a humanidade ao vento, a dos outros com a sua.

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podres