OS POSITIVOS

último grasnar

tweets, engraçadismo, fake news, Público, A-to-tha-G: os P+, realidades recursivas

As hard-core users know, if Twitter is a game to attract engagement, then the worst experience you can have on the platform is to “win” and go viral.
in "Twitter's Slow and Painful End" 17 nov 2022

Redes sociais, cultura & sociedade, deitar fora o bebé com a água suja, voltar ao burburinho da espuma dos dias, e coincidências, sempre essas, retornar às lides quando um certo piar sobe de tom para, quiçá, o último grasnar do pássaro azul, Twitter. Não é um social media como os demais, distingue-o um subgrupo com excesso de representação entre os seus utilizadores mais activos que eleva desmesuradamente a importância do Piu-Piu na nossa cultura: jornalistas encartados (*) Senhores, rever um nosso overview "140 chars ou menos" 2016, especial menção ao "parte dois: o Twitter e os media", envelheceu bem. — outros: bots, trolls. Por graça das mecânicas da plataforma ("for many journalists/editors/producers/etc. [...] essentially a 'reality mediation + self-understanding' function, [...] that has no obvious replacement" 17 nov 2022 ), adoptaram-na tão intrinsecamente que nos é inimaginavelmente sedutora a ideia de supor o dia seguinte ao apagão ameaçado: um episódio para os anais. Quanto do panorama mediático moderno roçará a incompreensão se milhares de páginas salpicadas com buracos negros perderem sentido ou até assunto, sintaxe e semântica varridas num switch-off de servidores globais? Nenhuma outra plataforma está tão impregnada de jornalistas, nenhuma outra plataforma entranha tantos sítios noticiosos online.

what will the media do without Twitter?

Twitter has so fundamentally woven itself into our public life that imagining a world without it can feel impossible. What do our politics look like without the strange feedback loop of a Twitter-addled political press?
in "Twitter's Slow and Painful End" 17 nov 2022

Enquanto esperamos pelos próximos estágios da evolução humana-digital que resultem deste buraco na mediação — supõe-se tendências conhecidas, antigas:

There's the worry that, absent a distributed central nervous system like Twitter, the collective worldview of the 'media' would instead be over-shaped, from the top down, by the experiences and biases of wealthy publishers, careerist editors, self-loathing journalists, and canny operators operating in relatively closed social and professional circles.
in "Twitter's Slow and Painful End" 17 nov 2022

— lamentemos as realidades alternativas que passam com as possibilidades. É-nos fácil varrer à história que este Twitter  d'el Trump impulsionou mudanças dramáticas no discurso público na intersecção do imediatismo, visibilidade, globalidade. Hashtags que se tornaram movimentos sociais, primaveras árabes e outros pavios,

For years the dominant narrative has been that all social media is bad. But this overlooks the powerful, democratising and liberatory potential of social media, especially Twitter. If we zoom out beyond the personal, Twitter has played a fundamental role in shaping and enabling important social movements.
in "As Twitter burns we must not forget it is people that create social movements, not apps" 22 nov 2022

— ou, mais perto das considerações da casa,

If the book industry is a walled garden, Twitter is a ladder. It allows people from backgrounds that are underrepresented in publishing to get a toehold. People of color, people who live anywhere other than New York City, people who work day jobs unrelated to media — they can build an audience.
in "What Will Writers Do Without Twitter?" 8 nov 2022

Audiências de acesso democrático, o nosso segway a concluir ideias para hoje em velhos ol' rammbles de publicação independente, zines, e sê a tua própria plataforma. Quantas vezes neste espaço, nesse tema, alertámos para a memória que se perde,

Even solely in terms of its content, the loss of Twitter as an archive feels overwhelming to contemplate. (...) That's 16 years of 200 million users churning out tweets, hashtags, gifs, memes, videos, art, stories, DMs, group chats, threads, debates, subtweets, quote-tweets, and all the other content that the Library of Congress briefly deemed worthy of preserving.
in "The weird sorrow of losing Twitter" 22 nov 2022

e, com gostinho especial da experiência traum-ó-sociológica que significará o seu desaparecimento, às mãos de um multibilionário, no less, continuaremos a martelar a mesma tecla:

People spend years building online communities only to have them ripped out from under them or irrevocably altered as a result of sudden change in policy or leadership. Digital platforms are essential social infrastructure of modern life, and we shouldn't accept them being dictated by the whims of billionaires. It's crucial that we start to consider the potential of publicly owned digital platforms.
in "As Twitter burns we must not forget it is people that create social movements, not apps" 22 nov 2022

Publicly owned digital platforms, meh. Não somos dogmáticos. Chega-nos "distribuído" e "partilhado", há espaço para a iniciativa privada. DIY: sempre.