OS POSITIVOS

as mais frágeis condições

Dos primeiros “Estados”, aspas nossas, quando a humanidade começa a domesticar animais e plantas, a criar os primeiros excedentes, e, claro, criar mecanismos de os extrair de baixo e concentrar em cima - vários milénios antes de Tancos ou family gates.

  • BRANCOS 2,54%,
  • NULOS 1,74%,
  • ABSTENÇÃO 45,50%
in "Resultados Legislativas 2019" 7 out 2019

Duas pérolas de comentador televisivo na abstenção: 1 tornar o voto obrigatório, ou 2 pelo menos digital para que a facilidade de votar de casa se traduza em números. Ora, quem não vota obrigado a votar só vai resolver em mais brancos e nulos, mais trabalho a quem terá de separar cruzes de piretes. E fartos de manguitos ou outras criatividades – da nossa parte, faríamos bds inteiras naquela folha – passo seguinte seria meter alguém em cada cabine a confirmar que se vota “correctamente”? Já do voto digital, dadas as mesmas facilidades tecnológicas que o permitiriam, porque não acrescentar uma última checkbox no fim para “outros” com caixa de comentário? Porque não, se estamos a combinar o facilitismo de uma democracia digital, permitir que os cidadãos preencham essa caixa de comentário que despeja directamente no parlamento todos os dias úteis da semana e não apenas uma vez de quatro em quatro anos, obrigando os deputados a votar sobre esses? E, passo seguinte, se estamos de inverter quem-vota-quê, porque precisamos do voto dos deputados, se o podemos fazer por voto electrónico? Just sayin’: que a agenda parlamentar seja determinada pela população que servem, e os deputados agora funcionários do parlamento passem os dias a resolver os kinks da legislação que depois submetem a escrutínio directo. Não o pedimos para cada pequena norma ou regulamento – esse trabalho de sapa fica-lhes bem e é para isso que lhes pagam – mas ao espírito dessas leis. E quem der por si a achar que não é lá muito funcional ou aconselhável deixar à vontade dos povos a condução dos seus países, tem que rever a sua posição em “democracia”.

Mas o nosso bife – veggies! – em noite de eleições e todas as outras vai mesmo para os media. A má qualidade da classe política não pode ser separada do péssimo trabalho destes num país em que bastará atirar uma pedra ao ar para acertar num qualquer escândalo de interesses impróprios a consumo, e no entanto papéis do panamá serão uma vez a cada dez anos, com os nossos jornalistas acomodados entre o papaguear soundbites ou reportar reactivamente da porta do tribunal. Exaspera-nos a sua mansidão quando podem como poucos quebrar a lei com uma impunidade que tem o seu próprio enquadramento legal. Tivéssemos as mesmas proteções, estaríamos a invadir matadouros e quintas cinco dias por semana e a entrar nos escritórios de advogados cada outro fim-de-semana. Por comparação, cremos que no rescaldo do primeiro 25 de abril as forças políticas teriam outra presença, moldadas por anos de ditadura e, igualmente importante, livres de maneirismos artificiais de uma televisão – rádio – imprensa ainda em gestação. Entretanto chegados a este molde, todos são moldados iguais.

Comparando valores entre o paleobabilónico, "primeira metade do segundo milénio a.C", e o neobabilónico "fins do século VII e grande parte do século VI a.C, cerca de mil anos depois".

Vários mil anos mais tarde, desafiando a grande diversidade de contexto, os partidos mais conhecidos tornaram-se identidades incrivelmente semelhantes, e as pressões a favor de uma maior estratificação substituem igualitarismo pela crença nos méritos da desigualdade e aceitação de hierarquias como elementos integrais da ordem natural e cósmica.

♪ what Babylon try to offer, Rasta refuse it ♪

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