OS POSITIVOS

dabling with (aged) fascism (to come)

Uns quantos tendem a suportar a ideia de um regime forte, não-democrático, o suficiente para meter ordem à casa. Mas senhores, a vossa capacidade de sujeição ao desconforto não conta como coragem & sacrifício por causa própria ou demais enquanto vos corre de feição e o tomam por temporário, apenas o necessário para uma limpeza de primavera. É quando as estações não se revezam mais e o inverno veio para ficar, quando gostavas que o sufoco parasse, e não pára, quando essa bota que esgana o pescoço não é um pedido, pedes que tirem e não tiram, só então começa a contar/doer.

Das muitas peças a fechar-nos semana deixamos à linha do tempo a crónica do Timothy Garton Ash "A new cold war? World war three? How do we navigate this age of confusion?" , que tenta "get our bearings by looking to the past" começando com um look quase irónico à catrafada de títulos de livros publicados recentemente:

Are we perhaps in The New Cold War? The brink of a third world war? Is the world beginning to resemble the late 19th-century Europe? [Are we] in a new Age of Revolutions? Or is it rather The Age of the Strongman? The Age of Unpeace? Surely it’s The Age of AI. [The age of] Anthropocene. Or the age of danger. If you type the words “the age of …” into the search box (...) you get another bunch of contenders, including the age(s) of amorality, energy insecurity, impunity, America first, great-power distraction and climate disaster. Perhaps this is just the age of hype.
in "A new cold war? World war three? How do we navigate this age of confusion?" 3 mai 2024

O "age of confusion" roça-nos o mais próximo das tendências evidentes da cronologia registada desde a invenção da escrita: as sociedades agregam-se/são agregadas em unidades que têm o seu tempo, a razão dessa união não é imutável — diferentes valores têm diferentes forças (bónus: a força do $$$ ganha sempre, "follow the money")—, com mais ou menos violência essas unidades desagregam e o ciclo repete em novas direções. Com sorte, algumas boas, se algumas boas ideias tiverem raízes fortes.

Da mesma edição do jornal, concluímos com o George Monbiot 3 mai 2024 para exemplo da desagregação em curso. A propósito da influência dos interesses dos mais ricos na condução da coisa pública ("Why would those who control this money not wish to flex their political muscle?"), do primeiro parágrafo o essencial a reter: "Democracy is meaningless if a country isn’t run at the behest of its people." Parece básico, recordemos bases quando essas afirmações forem demasiado subversivas para publicação.

E agora 'bd tuga, via UK, 'cuz.


publicações subversidas