OS POSITIVOS

Eric Hobsbawm não aprova esta ideia

Regressados. Que passa? Perdemos o ciclo de notícias nas promessas intrujadas do governo (qualquer governo)? As ações de sensibilização (de juízes e oficiais de justiça) pelo ambiente do Climáximo darão umas peças por estes dias? Em ambos: quantas mais vezes o mesmo? Somos novos-velhos suficientes para acção directa ter "c" no meio e "não ser apanhado no fim" como devia acabar.

Voltemos para segundo excerto ao "Bandidos" 2024 (1969) de Eric Hobsbawm. Não disfarça ironias pela "ideia de anarquismo", "um sonho intransigente e fantasista" (sabendo as suas inclinações políticas, 'nought said), que lhe merece comentário no capítulo das expropriações, onde distingue das mais sistemáticas e mais respeitáveis, no seu entender, do regime bolchevique. Mas, voltando à ironia, e no campo de batalha espanhol onde os comunistas haveriam de trair anarquistas, destes últimos — são linhas que se queriam trocistas, mas... aqui passarão?

O mundo deles era um mundo em que os homens se regem apenas pela moral, ditada pela consciência; em que não há pobreza, nem governo, nem prisões, nem polícias, nem compulsão e disciplina, excepto as da luz interior; um mundo sem laços sociais, excepto os da fraternidade e do amor, sem mentira, sem propriedade e sem burocracia. Nesse mundo, as luzes da razão tiram os homens do obscurantismo. Nada se interpõe entre eles e este ideal, a não ser as forças do mal, os burgueses, os fascistas, os estalinistas, e até os anarquistas transviados, forças que devem ser varridas, embora, claro, evitando sempre as armadilhas diabólicas da disciplina e da burocracia. É um mundo em que os moralistas são também pistoleiros, por um lado porque as armas matam os inimigos e, por outro, porque são o meio de expressão de homens que não podem escrever os panfletos ou fazer os grandes discursos com que sonham. A propaganda pela acção substitui a propaganda pela palavra.
in "Bandidos" 2024(1969)

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