OS POSITIVOS

então queres morrer por portugal?

♪ I pledge no allegiance, fuck the President's speeches! ♪
♪ 'Cause if this country was invaded and crumbled ♪
♪ I'd turn Harlem into a Colombian jungle ♪
♪ And I wouldn't be fightin' for a Christian nation ♪
♪ I'd be fightin' for survival from extermination ♪
♪ I wouldn't fight for Fox News, them racist niggas ♪
♪ I'd be fightin' for the hood, for the faceless niggas ♪
in "Bin Laden (Remix)"

Ardor no peito, queres lutar pela pátria. Talvez não desejasses nada mais do que cair pelo berço da nação sob a bandeira de Afonso Henriques. Ó o orgulho. Mas Portugal não existia ainda. Ó a estupidez. Se morrer por disputas técnica-administrativas das linhas do condado, direitos de consanguinidade entre bastardos, realeza remediada, cadeias de vassalagem, grilhetas metafóricas-literais, tantas vezes a História te favorecerá. Portugal abaixo, quando o for, ou estado-nação, que não te conseguiria mais do que uma careta de completa estranheza dos teus um-dia-compatriotas, mais leais à aldeia ou família, matarás portugueses por Santarém, Lisboa, Almada, quiçá para morrer pelo alentejo às mãos desses ´tugas de outra mãe que resistiam ao fundar do seu próprio país pelos seus conterrâneos. Ou, adiante, porque pátria é propriedade-património hereditário-acordado e presente de casamento, quererás morrer na segunda volta com os espanhóis, uma pátria ao lado, tantas outras na bagagem para a escolha. Ainda que, outra vez mais, todas as vezes, não nos recordamos de monarca algum alguma vez aviar um deem-me emancipação dos povos ou deem-me a morte. Morres para mudar o jugo que te esgana? Não morres pela tua liberdade ou dos teus. Ou morrerias para esganar a liberdade dos de lá, Portugal de África, Índia, Japão – qual é a tua praia, quem são os teus? Morres nas baionetas dos franceses quando te inventavam o nacionalismo moderno que tanto gostas, ou zarpas para o Brasil de pátria arrumada no baú? Absoluto liberal, não há escolha errada numa guerra civil, dos dois lados morres português. Mata o rei e podes morrer por uma república que mandava os seus morrer pela Flandres, ainda que ingratos à glória que lhes cabia se amotinassem em pleno campo de batalha. Viró-passo e casaco velho, talvez preferisses morrer pelo Estado Novo? Pena se tarde, se esse é o caso, lamentamos contigo que não tenhas tido o teu desejo. Lamentemos outras promessas por cumprir. Revolução cravada, queres morrer por Sócrates? Passos Coelho? Costa Montenegro? Cavaco-Rebelo de Sousa? Em concreto, seriam esses senhores que te mandariam para os campos da morte, matar(-te-)ias pelas suas políticas?

Morrerias por um ideal abstracto que só existe na tua cabecinha: quem é o romântico ingénuo? Umas quantas ideias devemos defender até à morte. Esta, não é uma boa ideia. A pátria, como a religião, é uma invenção. Não sejas um patriota. A tua cultura não está na pátria, está na prática. Não perguntes o que o teu país pode fazer por ti, pergunta-lhe se há casas, escolas e hospitais para todos. Pergunta-lhe se a justiça é célere por boas razões ou celebridade pelas más. Pergunta-lhe o que faz pelos novos e pelos velhos, e pelos que estão no meio. Pergunta-lhe se és um cidadão de pleno direito, ou clientela subscrito-renovável desde que não falhes pagamentos. Pergunta-lhe do pacote premium dos que pagam menos e recebem mais. Pede para ler o fine print deste contracto social.

Não somos pacifistas: à agressão, responde agressivamente. Se te metem uma espingarda na mão e te mandam matar e morrer, desce lista abaixo todas as ofensas, perdoa nada, não apontes só pela metade.

♪ so I repetitively reload the cartridge ♪
in "Bin Laden (Remix)"

agressão