OS POSITIVOS

nada vai mal no reino de portugal

Ainda sem certezas de quem é governo, esse governará de apoios tremidos de crise em crise até cair, a extrema-direita ultrapassa a restante oposição: o país juntou-se enfim às democracias modernas, sintonizados ao roteiro que vos trouxemos antes para as próximas duas décadas.

Não menos verdade, contudo, é que a capacidade para criar ou resolver problemas às pessoas não está essencialmente nas mãos dos governos, sobretudo os das periferias, mas sim nas instituições europeias e sobretudo no BCE.
in "O elefante começou a partir loiça" 11 mar 2024

Muita atenção se dá ao partido dos racistas xenófobos misóginos, pouca às (outras) razões que lhe sopram vento às velas. Excluindo os grunhos naturais já citados, há o descontentamento. Deles, e nosso, porque os partidos de esquerda não foram exaustivos a apontar baterias à raiz de todos os males: o capital não está a ser racional. Há quem suspeite que nunca é, e não ouvimos ninguém em campanha (a invasão russa da Ucrânia '22 está para o PC como a invasão soviética da Hungria em '56 e antiga Checoslováquia '68 para muitos ex-comunistas: virou-se uma página...) a questionar o mais básico dos básicos do funcionamento destrutivo desta economia. Pista: recuperamos nota dos dias imediatamente a seguir às eleições:

Medina garante na UE “continuidade da trajectória de contas certas” pelo próximo Governo [e] o governante salientou que esta garantia "foi particularmente bem recebida", notando, porém, que "caberá ao futuro Governo fazer prova disso mesmo".
in "Medina garante na UE 'continuidade da trajectória de contas certas' pelo próximo Governo" 12 mar 2024

Podem votar o vosso parlamentinho, desde que ele não tente muito. Lembra-nos uma monarquia parlamentar: vota o quiseres, mas não votas o rei. Se demasiado hipotético, temos casos reais (pun!). Somos sempre recordados do exemplo grego do Syriza 2015 (a agressão europeia que nos mudou o livro): que mais importa, se nada importa?

O zeitgeist sempre fornece, e chegados à modernidade fechamos o presente a partir do exemplo internacional que lhe abriu as portas — e talvez pegue fogo a toda a casa? Do legacies and lessons of neoliberal realignment entre américos cujo foco na substituição de representatividade de (uniões de) trabalhares por elites urbanas talvez tenha ressonância aos deploráveis deste país. Mashup sumarento:

Democratic candidates aren’t embracing progressive economic demands. Is it any wonder why more and more working-class people are tuning these politicians out?

Feeling left behind by the “winners” of cultural change, technological transformation, and globalization, these voters increasingly view the “winners” as a foreign or illegitimate element within American society. [...] Winning back working-class voters (...) will require (...) a new vision of the good society — one capable of including all the “losers” of the neoliberal era.
in "Can Democrats Reverse the Neoliberal Era’s Dealignment?" mar 2024

Encontram também o porquê dos mesmos políticos de sempre: um forte incentivo para as mesmas políticas de sempre.

For conservative Democrats, the Third Way, neoliberal turn of the ’90s paid massive dividends over the past three decades, bringing in a huge influx of large contributions, particularly from the finance and information sectors. Not so for progressives.
in "Can Democrats Reverse the Neoliberal Era’s Dealignment?" mar 2024

("Progressivo" em americanês quer dizer "mais à esquerda".)

Já antes o dizemos e voltamos a repetir: sigam o $$$ e saberão que governo.

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