OS POSITIVOS

« o senhor não filma »

Terminamos semana dedicada à imprensa. O zeitgeist sempre fornece: um patrão irado, um jornalista a gravar, jornalistas a gravar jornalistas: a notícia é o patrão bater no jornalista – voltaremos aqui. Antes: um jornalista-cidadão podia baixar a câmera no momento, foi necessário o cidadão atrás do jornalista para defender o direito de informar. Consta que CDU local, que faz desta a primeira luta de classes televisionada de 2024 com o jornalismo pelo meio: poderá ser mais premonitório?

Acreditamos na importância da uma sociedade bem informada & que hajam how-tos (vá, “boas práticas”...) para que essa informação seja objectiva & verificável. Flip tha script: não acreditamos em especialistas ou gatekeepers que arroguem o direito a decidir o que é notícia. A nuance? Diz o claim do departamento de marketing de um jornal qq - vcs sabem qual: “Assine um jornal. Um jornal não sobrevive sem leitores e sem assinantes.“ Retorquímos: um jornal não sobrevive sem notícias. Provocamos: as notícias sobrevivem sem os jornais.

Nota final: na mesma peça soubemos que o patrão já tinha feito o mesmo a uma funcionária e condenado em tribunal por isso. Não foi notícia. No nosso mundo, tínhamos as imagens.

PS: já a sonhar com a open road reparamos na crónica de AG, "Os Jornais em Tempos Cinzentos" 26 jan 2024. Interessadíssimos, mas atrás da paywall: podíamos saltar muros mas insistimos debate no que é público — pun!. Esta foi uma semana de introspecção mediática na indústria, debate circunscrito ao interior da bolha. Cá fora, nós e outros como nós, menos os escrúpulos. Concluímos comparações: OS POSITIVOS? Só de nome. Público? Isso.

fora da bolha