OS POSITIVOS

já não estamos nisto todos juntos

conta-me história(s)

do tha math

We talk about society's rightward journey. We talk about polarisation and division. But what underlies these trends is a shift in values. This is the cause of many of our dysfunctions; the rest are symptoms. When a society valorises status, money, power and dominance, it is bound to generate frustration. It is mathematically impossible for everyone to be number one.
George Monbiot in "To beat Trump, we need to know why Americans keep voting for him. Psychologists may have the answer" 29 jan 2024

A praxis da esquerda continua ancorada no que faz falta e como lá chegar, ie, o que não existe, elencando políticas redistributivas de correção histórico-social a par do interditar dos excessos lesivos ao bem comum, ie, proibir & confiscar. Descobriu também o individualismo com uma paixão habitualmente reservada à direita melancólica pós-romântica que fariam Nietzsche mijar as cuecas — e se confundimos literatura é porque já nada importa. Em curto: a esquerda bate-se pelo alcançar de direitos, alguns dos quais há muito batalhados, constantemente malogrados, eternamente adiados. A direita faz progressos (pun!) nestes anos de amargura e fim-de-ciclo porque promete o aqui & agora: não se bate por futuros, mas o assegurar dos direitos conseguidos aos que os receiam perder, aliciando os que não os têm à sua possibilidade – afinal: também tu podes ter a tua casa se os esquerdalhos não foderem o mercado baixando as rendas e juros. Podem ser mínimos e maltratados, podem ser insuportáveis ou insustentáveis, mas têm-lhes mais apreço que a dois pássaros a voar em tempos de incerteza. Dos operários aos agricultores aos [remediado-da-tua-escolha-aqui], a atração é irresistível: não perder o pouco que têm. (De certo escalão do IRS para cima substituam "direitos" por "privilégios" e "desespero" por "apego".) Ironia madrasta, os poucos direitos que têm estão ameaçados pela mesma lógica que nos trouxe o neoliberalismo na crise anterior à anterior à anterior (perdemos conta) que já ninguém fala. Ironia suprema, "não importa quem votas hoje..." desde que as políticas económicas pós-70 se tornaram hegemónicas de ambos os lados da bancada, razão da qual o termo atrás saiu de uso: não precisa nome o que se assume como estado natural das coisas.

As duas guerras nivelaram a europa e no processo as suas classes. No rescaldo tivemos uma sociedade mais igualitária e estado social até o $$$ se recompor em remanescências das desigualdades estratificadas sobressaltadas pelo século XX. Nenhuma política que a ameace terá aval de instituições internacionais destinadas a garantir a sua manutenção (*) Essas instituições são financeiras, não democráticas, mas vota, vota, põe lá um papelinho na urna, onde a democracia vai para morrer.. O fosso que as separa do dia-a-dia da população gera desordem, a ausência de uma narrativa comum — além das alterações climáticas, apocalipse, escassez de recursos — esvaziaram a sociedade de qualquer sentido de comunidade, tornando-a arena de todos contra todos na qual a esquerda diz "dá a outra face" e a direita diz "olho por olho". Puta ironia, entre convertidos a esquerda é famosa por renegar dos seus, a direita por engrossar quem chega.

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