OS POSITIVOS

citizen readership-ism

Levantámos da wikipedia (a escolha não é inocente), citizen journalism: "public citizens playing an active role in the process of collecting, reporting, analyzing, and disseminating news and information", sustentados em "alternative sources of legitimacy than traditional or mainstream journalism".

when the people formerly known as the audience employ the press tools they have in their possession to inform one another

Não vos vamos falar das pitfalls do género embora tenhamos boas críticas às críticas que lhe são feitas habitualmente, por quem habilmente as faz – para outro dia. Regressados à posse das ferramentas de informar, mais uma vez. Obviamente experiência grotesca no contexto das redes sociais como as conheces, plataformas algoritmo-monetarizada onde proliferam notícias fabricadas com propósitos nefastos. Mas num universo paralelo ao nosso que bifurcou pelos finais do '90s inícios dos dois mil em sentido divergente, a inexistência de incentivos ao jogo das subscrições fomentou o uso desses canais na confluência do peer review, distribuído, independe, sem qualquer belisco de credibilidade. Conhecemos diversos casos – porque o nosso tempo é escasso mas saibam que é uma constelação de muitas mais estrelas do que aquelas que brilham no ecrã à noite – de "cidadãos públicos" sem qualquer formação formal em jornalismo que a) dominam os seus ofícios b) investem o seu tempo a investigar temas que ninguém lhes paga para o fazer, c) partilham das suas descobertas sem qualquer outro propósito que não o informar d) todos ganhamos porque o fazem. Hell, senhores: metade dos jornalistas encartados terá hoje em dia o seu podcast on the side.

Ora. Regressando a esta realidade. O local e distribuído é simultaneamente a sua maior força (o seu garante de qualidade: não é um investimento lucrativo a actores de intenções secundárias ou porco-capitalista) e fraqueza: ie, requer a descoberta. Obrigar o leitor a aventurar-se na world wild web para lá da conformidade das redes sociais é hoje um exercício impossível, quanto mais imaginar o à-vontade e destreza digital de reportar do concurso de caniches do bairro à corrupção na câmara municipal.

For most people, visiting here is a one shot deal. An article gets linked to from elsewhere, they read it, and then they move on. I know this place isn't for everyone; hell, it's not for most people. But I know that there are people out there who enjoy my writing here. And yet it's clear that most people don't even try to click around the archives. I'm sure plenty of other blogs and indie web projects suffer from the same fate. One click… and then scurry back to the safety of their main social media feed.
in "Click Around, Find Out" 21 jan 2024

Se o desafio é grande, também é a recompensa, e meio-da-semana talvez se dê à envangelização. Segue-se mashup recente pelos bons velhos tempos quando jornalistas gastavam rios de tinta (literalmente: ainda agarrados ao papel impresso) para se distanciarem dos bloggers, e não a choramingar o desaparecimento dos anúncios para as plataformas que haveriam de substituir aqueles.

Many people think the answer is simple: more people should write blogs, or do some other kind of creative work on the web. I'm certainly not going to disagree with that. If just 100 extra people made and published one new thing every month, you're looking at 1,200 new pieces of work online in a single year. But I'm going to throw into the mix an even easier idea. You don't necessarily have to write, or create, or even curate. Click around. Or tap around. If we want the indie web to flourish, the very first thing people need to get used to is actually browsing the web again. I can spend a whole afternoon clicking around, without social media or a walled garden anywhere in sight. How many people still do this?
in "Click Around, Find Out" 21 jan 2024

Abre o browser, descobre alguma coisa nova. Diferente. Real. Não filtrado. Escapa ao feed: desafia-te a ultrapassar as primeiras três páginas de publicidade dos resultados, a insistir para lá das quintas de conteúdo, vendas online e websites meticulosamente concebidos por agências de marketing ou amanhados às três pancadas para te sacar o crédito no tempo que demoras a bater uma pívia. Manda os P+ a um amigo teu e inclina-te para trás sabendo que lhe fodeste fizeste o dia. Não há paywalls na indie web, se a conseguires encontrar.

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