OS POSITIVOS

não subsidiem a minha cultura

Anyone can now produce professional-looking images tailored to their desires, without having any training in art or design themselves. If that sounds great to you, you might not be one of the millions of humans whose livelihoods depend on being able to exchange those skills for money.
in "Could a robot ever recreate the aura of a Leonardo da Vinci masterpiece? It’s already happening" 2 jan 2023

Advindos da bd a sequencia é familiar. País pequeno, mercado menor, ninguém vive dos bonecos, há que pagar mais aos autores. Uma pequenez do queixume análogo à dos horizontes: por lado nenhum, arte qualquer, sobrevivem maquinações culturais sem bolsas e subsídios a pingar nas intravenosas, artificialmente acarinhados, alimentados, nados-mortos que se definham no desmame; a subsidiodependência cultural é uma distorção da cultura, simulacro, paternalismo meceno-estatal, exercício-exposição da quarta classe muito para lá da primária. O lamurio do ser-se artista profissional só ataca um certo tipo de sociedade.

Que não desenhem, que não escrevam, que não pintem quadros, que não toquem numa banda, que não dancem, que não façam teatro, se não são impelidos por uma vontade interior que os desassossega, lhes grita subir aquela montanha só porque ela lá está, que fiquem em casa. Se o fazem, se chocam contra intempéries, se vencem correntes contra, que não o vendam. Do que nos dá prazer nunca devemos fazer profissão, e ao que atribuímos sentimento-sentido, não ponhamos valor.

A criatividade desembaraçada é sina da humanidade, define-nos. Vem quando vem, e depois desaparece. Vai-se na última folha que o vento sopra no outono. Abre-se com as flores da primavera. Dura o que duram longos fins de tarde do verão. Mais vezes que não, regressará aos solos ressequidos com uma vingança nas enxurradas de inverno.