OS POSITIVOS

a noite sem fim

talento local a caminho do calvário - literal

Terrinha, inferno idílico. Batemos porta do lado certo da casa ancestral com berros de ingratidão e desilusão a desaparecer no seu interior. Que desta ataque a BD em vez do vegetarianismo é-nos quase motivo de regozijo pelo progresso províncias adentro dessa dieta ideológica: a sua quase-normalização faz agora dos quadradinhos a principal falha de caracter – de uma lista de muitas – deste vosso escriba. Ponto para os veggies, os cómicos tornaram-se freaks maiores.

Lamenta que não tentemos vender os P+, que podemos facilmente transformá-los em algo que possamos apresentar ao grande público se fizermos o esforço. Replico-lhe que não os percebe de todo se os imagina com preço na capa. Enfurece-se porque não passam de masturbação para a gaveta. Não lhe explico que a cada novo zine são enviados mundo fora, free of charge, e todos publicados online abertos ao universo. Grita-me que nunca vou deixar uma marca no mundo, não lhe respondo que não posso admitir as que lhe faço. Que nunca farei qualquer diferença, poucas semanas depois de saber como um velho amigo de arredores e agora pai de três conheceu a sua mais-que-tudo: sentada num passeio, queria meter conversa com ela, aproxima-se, pergunta-lhe que lê, ela responde-lhe "um zine, OS POSITIVOS".

Mas em parte desliza à razão. Talvez tenha chegado o momento de pender o vândalo maior de volta a militâncias animalescas. O bichinho mexe-se, e como diz o poeta acima, "a tinta acaba-se", voltamos às pedras, martelos, e talvez até às foices: novidades quando as souber. Algumas coisas, muitas, nunca mudam. Outras entramos a partir.

vão-se