OS POSITIVOS

forever beat that drum!

( add drum machine )

“No, I absolutely won’t go see your band — but hey, I’ll happily check out this comic again anytime.”
in "Two Of A Kind, But Different (Part One)" 2 mar 2021

Retomamos viagem voltando a casa. Da fé no cidadão, música de género desconhecido com interpenetrações para lá do óbvio, a nossa deixa para algumas ideias na fronteira da cultura & comércio. Primeira: Comunistas Inc. ao som do "♪ I make my money on my own, yeah ♪" & "♪ feeling so clean like a money machine ♪".

Journalists and politicians tend to place great significance on policies, announcements and supposed successes and failures at the top. But such things are usually less relevant to the question of whom people vote for than fuzzy, emotional factors: feelings of belonging, shared values and whether or not politicians reflect people’s idealized sense of who they are.
in "The Conservatives are now the party of England. Changing that will be hard" 14 mar 2021

Todos estaríamos melhor se pudéssemos escolher a comunidade a que queremos pertencer atingida a maioridade, ingressando e participando onde mais nos toca, pelas nossas regras, nossas prioridades, nossos interesses, por livre associação de vontades. Mas embora possamos concordar que não queremos estar nisto todos juntos – a principal tensão deste início de século até que a próxima guerra nos una na vida e na morte –, não nos podemos escusar à realidade legal-nacional-estatal à qual nascemos, e fazer o opt-out / opt-in da sociedade é uma utopia neo-liberal reservada aos mais ricos e comitiva. Muitas vezes esquecido ao debate, de notar que estes não lhe têm legitimidade: “só” um monopólio que pode e deve ser contestado, habitualmente conseguido no esvaziar dos recursos que restam aos demais e dependente de extorsão contínua. Ora. A mesmíssima reivindicação à iniciativa privada e privatização de serviços públicos abre portas à recriação dos restantes, uma oportunidade que poderá ser particularmente interessante de – cof-cof – explorar para criar caminhos à parte. Pensemos comunistas pragmáticos à conquista do mercado, não do Estado. Em vez de um partido, quantos mais sucessos teriam se se reinventassem como uma corporação fornecedora de serviços entre os demais, intentados a conquistar as massas com cartões de pontos? Possuem a maior vantagem competitiva de todas para arrasar concorrência: não têm o ónus de espremer todas as margens (*) O comércio sem fins lucrativos será certamente tão ilegal como independentes a eleições. numa corrida para o fundo. Redistribuindo lucros de volta à comunidade ou financiando outras empresas em trampolim, os Commie Inc podiam de uma assentada provar que lhes é possível gerir economias planeadas e combater as piores práticas do capitalismo que objectam pela valorização de recursos humanos, serviços e bens inclusivos, yadda yadda yadda. Comecem pequeno com as lacunas mais óbvias: os pequeninos e as creches, o pequeno comércio, o pequeno empreendimento cujos pequenos retornos desencorajam investidores de lucro fácil. Consolidem, reinvistam, cresçam, mais cooperativas, mais associações, mais colaborações, mais comunidades, em três tempos – décadas, senhores, décadas... – chegam à banca e os portugueses atropelam-se para lhes dar o dinheiro a guardar (aquilo das comissões pelo mais barato e do guito que não desaparece em offshores e derivados mal explicados). Da noite para o dia e demasiado grandes para cair, estão no imobiliário e em todo o lado: aviões, barragens, o que estiver a saldos pelo governo em funções — notoriamente nunca comunistas o que arruma conluio ou incompatibilidades de interesses. Requer um pequeno leap of militância mas não se lhes exige grande inovação: basta-lhes repetir as mesmas estratégias de edge-funds predatórios minus os bónus milionários. No compasso de espera para chegarem ao Estado transformam-se comités em gabinetes de investimento, comissões políticas gerem projectos, festivais de verão fazem workshops a candidaturas de fundos europeus, camaradas calcorreiam o país para instruir o povo nas boas novas do empreendedorismo mútuo-solidário com a almofada financeira e o aparelho para apoiar. Quantas alminhas vacilantes veriam os seus receios de uma ditadura do proletariado esfumar-se se o Partido Comunista fosse uma incubadora de mini-micro-macro empresas de sucesso na sociedade civil?

Se.

Nada do atrás exposto é extraordinariamente original – à vossa paciência as leituras que quiserem fazer no “porque não” –, saltemos páginas da História para o presente realmente existente & militantes que não se aventuram a mudar o mundo em guerrilhas económicas e opas hostis, refugiando-se nos ditames da teoria como último reduto: os humanos não são animais de comportamentos exclusivamente racionais, antes têm uma relação complicada ao $$$. A nossa deixa à parte dois de compostos anti-natura: culturas de fetiche, o nosso fetiche. Eles: arte em digital. Nós: eles.

parte 2