OS POSITIVOS

encaixa

Na tagline dos P+ combinámos um “mixtape” ao “fanzine” porque encontramos uma relação óbvia entre música e comics neste nosso universo particular — fora deste, não tão óbvia. Exemplo de hoje, substituam referências a melodias sonoras por ritmos visuais (*) De harmonias, nada a dizer :) e encontram-nos no “the second-most-prominent group”, $$$ (un)wise: há muito que deixámos de ir aos concertos. Dum report da Nielsen, “Serving the Superfans” 17 nov 2020:

Five types of fans based on their sophistication and type of spending:


  • Aficionado fans, who make up 14 percent of all fans, but more than a third of all spending.
  • Digital fans, who spend less than the aficionados but tend to catch big trends early.
  • Big box fans, who are mainstream in their tastes and their spending.
  • Occasional concert consumers, who aren’t as engaged with the music, but will occasionally go to see a band live.
  • Ambivalent music fans, who tend to listen to free streaming services but only tend to spend money on musical acts when they feel the experience is special or unique. This is the second-most-prominent group, at 22 percent.
  • Background music consumers, who make up the largest group, at 24 percent, but just 6 percent of the overall spend. They don’t spend a lot … but they are nonetheless important to major artists as they can be the difference between a cult act and a superstar.
in "The Risks Musicians Face When Marketing to Superfans" 17 nov 2020

Primeiro grupo análogo aos fanboys da Marvel e DC, último grupo o público at large que não lê BD mas compra mesmas séries de sempre ou algum título que a imprensa generalista divulgou nas suas puff-pieces template ocasionais.

E nessa nota, nota às notas que nos custam as tendências em notas rítmicas reembaladas: aquele artefacto que vende nostalgia a quem sabe que os seus melhores anos estão para trás. Mesma música:

Fans grow up. They get better jobs. And after they figure out what they’re doing with their lives, they get money to spend on things that are very special to them. And some of the most popular artists responded by creating special versions of their best-known albums. One such tool for doing so? The box set.
in "The Risks Musicians Face When Marketing to Superfans" 17 nov 2020

Não é só o preço, é também o que a tendência nos diz da nossa idade e nosso lugar no tempo/espaço a que chamam sociedade. Par de anos atrás o “Dirty Plotte: The Complete Julie Doucet Hardcover” 2018 vendia-se a $149.95, este ano a publicação dos slackers dos 90 a retornar é o “The Complete Hate Hardcover” 2020 à venda por $119.99. Quando os príncipes valentes, becos da gasolina, os amendoins, os Terry e os piratas, yadda do antigamente recauchutados são as tuas bds da juventude, forçam-te a take stockpun! — da tua vida. OS POSITIVOS: para nunca se sentirem velhos só nos encontram numa caixa, a do teu email.

Ainda de comparações, teríamos preferido uma evolução em linha com o "look back on 40 years of righteous noise" no The Guardian de hoje a propósito da editora dos Fugazi e Minor Threat et cia, o título será suficiente: "$5 gigs, not $10m deals: the story of US punk label Dischord Records" 20 nov 2020. Desse mesmo artigo, agora a apontar para a frente:

Everything is less now, in terms of sales, but music will never die. It will take new forms. Kids are developing secret languages through music and they’re going to figure out ways to disseminate that. Whether it’s on plastic or their devices; whatever form, there are ways of doing it that feel ethical, meaningful and righteous.
in "$5 gigs, not $10m deals: the story of US punk label Dischord Records" 20 nov 2020