OS POSITIVOS

americando os comics

Asterix in America, At Last. I had serious doubts that anyone in North America would ever pick the Asterix license up. In many ways, it feels like a troublesome series to publish in today’s political atmosphere. Papercutz will need to make some interesting decisions about the material as they go along.
in "Papercutz Brings Asterix to America. Finally. Should I Worry?" 8 nov 2019

Fechando o round de releituras ao zeitgeist com uma única entrada directa às nossas teses no Publishers Weekly, simpaticamente preenchendo vários requisitos nos politics of comics em arte popular. Formatos e $$$, arte e hegemonias ameaçadas, yadda: it’s a fuck fest!, tudo porque o Asterix é editado oficialmente no lado de lá do atlântico. Problematizemos então.

Esta sua entrada em vinte-vinte dá-se a interpretações sumarentas quando as podemos correlacionar a outras tendências e old time favorites neste espaço. Entre outras predileções, sabem como gostamos da nossa bd: consequentes. Não precisam de se elevar à obra com O grande porque assim isoladas só reforçam o seu excepcionalismo por todas as razões erradas, intentadas à canonização e subsequente rendição. É-nos mesmo preferível que a banda desenhada seja rasteira-rasteirinha impossível de separar e a somar ao substracto do qual outras texturas emergem. Por isso não nos fartamos da tentar arrancar às artes, contemplativamente inúteis, e atiçá-las à comunicação em massa, campos de batalha mais interessantes e – três dois um – consequentes.

Algum backstory: a Papercutz "a children's graphic novel publisher" – da qual vergonhosamente só temos um livro em estante – lançou recentemente no mercado americano a primeira adaptação específica ao mesmo em duas frentes: uma edição da última história de Asterix à data, "The Chieftain’s Daughter", em simultâneo com o arranque de todo o arquivo passado deste nosso herói gaulês (sem seguir a sua cronologia original). Apresentações desnecessárias, fazemo-las para contraste adiante. Deste campeão de vendas internacional e favorito de várias gerações, cuja popularidade está para o resto do mundo como o soccer está para os américas, dizem-nos:

While the humorous series was aimed at children, its sly political satire also appealed to adults. Asterix changed the public perception of comics from the negative view that was prevalent at the time, to the realization that comics could appeal to both children and adults.
in "Race and Representation: Relaunching Asterix in America" 19 ago 2020

A sátira que lhe conhecemos é tão universal como as suas múltiplas traduções o comprovam (*) Para problemáticas de tradução, ver entrevista no SOLRAD 23 jul 2020, o seu humor igual, o formato também. Obviamente, a adaptação de uma série querida por muitos, testava e provada por todo planeta minus Estados Unidos da América, tão antiga que se confunde à própria história da bd, agora importada oficialmente à nação que nos popularizou o meio, não será tranquila.

The satire takes on a deeper meaning.

Formatos. Américas não leem álbuns e precisam de variações de capa para a coleção.

Papercutz is releasing the series as omnibus editions (trim size 7 ½" x 9"), with each omnibus edition including three of the original 48-page French volumes (called albums). The relaunched book series will be published in hardcover and paperback with different covers, with the hardcover version pitched at collectors. "The French format just doesn’t work here," said Papercutz president and publisher Terry Nantier in reference to the 48-page Euro-format. "The trend here, and what’s really worked, is [the graphic novel format with] hundreds of pages, so we are looking to have a lot more to read and a lot more to get for your money."
in "Race and Representation: Relaunching Asterix in America" 19 ago 2020

Bd et $$$ ? Diz que não. Mas da relação industrial-mercantil-cultural franco/american da bd e os seus moldes para outras ocasiões, o segundo "não-não-não" é-nos mais à propos:

Despite this broad appeal, Asterix has a problem that has been remarked upon for many years: Its racist depiction of African people . This long-lived and popular French classic makes use of stereotypical caricatures of African characters (*) "Which depicts African slaves with such racist tropes as enormous lips". that have long been considered offensive to many people.
in "Race and Representation: Relaunching Asterix in America" 19 ago 2020

Porque Asterix passou pelo Congo antes de ir aos américas persegue-o uma mesma revisão histórica que já antes alcançou outras séries queridas a várias gerações. Na edição americana reconhecem-se dilemas e fazem-se tentativas – mínimas - de apaziguar polémicas:

There are issues of stereotypical representation which by today’s standards are a problem. This was the way 50-60 years ago that Black people were caricatured. We weren’t able to get much changed, but there were some changes." (*) "The publisher did agree to a few subtle changes—the enormous red lips have been recolored and subdued, up to a point." The book carries only a cursory disclaimer that says "Asterix was born in 1959 in France. This omnibus respects the artwork as originally created per the wishes of the authors and their publisher."
in "Race and Representation: Relaunching Asterix in America" 19 ago 2020

Neste ponto cita-se Ronald Wimberly (*) Além de "Eisner Award nominee, Glyph Award-winner, resident comics artist at the Maison des Auteurs in Angoulême" e com quem estivemos há uns anos., "a media and cultural critic, editor/founder of the broadsheet pop culture and art critical journal LAAB: An Art Magazine, where he has written about depictions of Blackness in comics":

He described the Asterix comics as "blatantly white supremacist ." "It’s true that [Uderzo] has a limited bag of tricks for characters, but he takes the time to differentiate by type and by importance. He has three traits to differentiate slaves from other characters: black skin, full lips, and ‘oriental’ clothing and accessories. It’s easy to see that the purpose of making all of the slaves black is a modern, white supremacist device."
in "Race and Representation: Relaunching Asterix in America" 19 ago 2020

E passe de magia, retornados assim à bd reapropriada à alta cultura. Porque, ainda o critico cultural dos media, se o Asterix não serve às massas não há objecções de maior a limitar o seu acesso às elites educadas:

"But this is a classic, and we have to keep that in mind," he says.

"It takes an adult, a professional, or a scholar to see it and appreciate it for what it is; to differentiate between form and function; to place it within a politically subjective context," he says. "Now if this is sold as it was when it was first produced, without any of that context, then the publisher is producing and selling white supremacist cartoons." Wimberly doesn’t think the comics (...) are appropriate for children. "Personally, I believe they belong in textbooks along with historical context," he says. "I think the way I experienced them, in the museum, was also a great context."
in "Race and Representation: Relaunching Asterix in America" 19 ago 2020

Independentemente desse debate, o nosso: os comics, como meio, têm o seu impacto. Sabemo-lo porque nesse roundabout fazemos voltas num descapotável da década de cinquenta a tocar na rádio o hit da sedução dos inocentes num beat intelectualmente mais sazonado. Ie, em vez de proporem a sua supressão elegem subi-la à categoria de literatura contextual-pedagógica que só excitará adultos aborrecidos, "comics, as an art medium in its own right", dismissed dos domínios pop-massificados que lhe dão razão de ser.

Contra essa tendência de erudição, aquilo do formato: arte comercial, ditada pela sua distribuição, acesso, e público-alvo.

It's ironic that a work so mischievously subversive and anti-imperialist should reinscribe stereotypes that are as hackneyed as they are offensive. For some parents that may be a reason to give the whole series a pass. But if you'd like to talk to your kids about where comic tropes come from, what they mean and what effects they have, Asterix is well worth talking about.
in "With A Glug Of Potion And A New Translation, 'Asterix' Aims To Conquer America" 15 jul 2020

thar she woes