OS POSITIVOS

alinhados com o universo

« Pull off. The hardest. »

Sofremos de uma malnutrição crónica na nossa dieta de opinados em banda desenhada, exasperando para encontrar substância entre os suspeitos do costume que lhe consigam um horizonte além do academês para inspecção ver, enésima repetição acrítica de divulgados da editora ou o entusiasmo parolo da sua leitura consumo inconsequente. À rotina com que varremos escritos alheios soma-se o prometido alívio do SOLRAD, que se quer um novo espaço online de “comics criticism and journalism hub”. Hélas, justamente – pun intented! - a reclamar herança da outra espécie que nos atiça especial desamor, os jornalistas, que terão com os críticos da especialidade um lugar cativo no inferno a que chamamos OS POSITIVOS. Uns e outros terão o seu préstimo, reconhecemos, mas uma importância instrumental a nunca ser admitida sem escrutínio, com desconfiança crónica e no contraste à experiência vivida na primeira pessoa. Aos jornalistas falta-lhes quem os investigue como aos críticos quem os critique, e a este vosso escriba não faltará tempo ou entusiasmo para postar às morais como costume quando ninguém lho pediu. Misturamos frentes e na restante crónica (*) Podemos chamar-lhe isso? invertemos método habitual por estas paragens: no lugar de recorrermos a externalidades inaparentes para significar comics, fazemos do jornalismo metáforas à vossa ponderação. Felizmente no caso da imprensa, o papel do diabo já foi institucionalizado há algum tempo e começamos com o do reader’s editor do The Guardian recentemente aviado que respondia em quatro pontos à sua própria interpelação “para que serve o jornalismo”. Wink wink e substituam a jorna por crita nas próximas linhas:

  • Make and mix the culture: journalism mixes what others make. Artists will create and cultural rituals will be acted out (and believed in) regardless of whether anyone observes, records, disseminates, applauds, tuts or hisses. But journalists do much to raise awareness, generate opportunity and magnify;
  • Help civil society to cohere: these processes foster tolerance in the sense that they make it possible to observe the diversity, the “otherness”, around us, without requiring us to join in, or even approve;
  • Facilitate democratic processes: extracting accountability and forcing into view public interest issues;
  • Lubricate commerce: [yadda yadda yadda] it can create conflicts of interest;
in "What is journalism for? In today’s world, here are four key purposes " 17 nov 2019

Cutaway para o lado de lá do atlântico e passe-a-vez ao public editor do WashPost para desenvolvermos aquele conflicto de interesses.

To be clear, there is nothing wrong with this.

The Post has pulled off the neat trick of combining prestige journalism with a shadow clickbait factory. Every for-profit news operation must, to some extent, subsidize important work with fluff, because fluff tends to attract readers much more reliably than important work. Some outlets are inherently embarrassed by this fact, and try to dress their fluff up. Others try to cram the fluff into special inserts, or hide it deep on the website, in an effort to avoid having it darken the halo of the Pulitzer entries. But the Post does something more deft—it seamlessly integrates the fluff into its overall presentation, thereby getting all the traffic benefits of clickbait without losing that Pulitzer glory.
in "How the Washington Post pulled off the hardest trick in journalism" 23 jan 2020

Podem inferir dos textos anteriores os paralelos a fazer. A observação do otherness não nos desperta calores mas ajuda a manter conversas centradas desde que não se perca ao debate que regardless of whether anyone observes, records, disseminates, applauds, tuts or hisses, rituais serão encenados sem validação ou licença necessária. O bom, e o mau. E se as analogias se aguentaram so far, regressemos ao projecto em mãos:

[MC] How does SOLRAD separate itself from other sources of comics criticism?
[DE] In the past, a lot of comics criticism was either just glorified press releases or a platform for a particular point of view as to what constituted the cannon of comics, often written by a rather insular group of critics. One of the main goals of SOLRAD is to open up the conversation concerning comics as an art form [através de] a site where people will always be able to come and find something new and exciting in the broad world of small press and self-published comics, curate and publish resources for creators that will benefit them, and open up the medium itself to a wider audience.
in "Matt Chats: Daniel Elkin and Alex Hoffman on their new comics criticism venture SOLRAD" 21 jan 2020

Xúxú. Mas se prestarem atenção, notam já as mesmas STDs editoriais que se alastram nos domínios anteriores:

A lot of major comics sites have turned to “Buzzfeedification,” I feel that this kind of writing coarsens the already tentative body of comics criticism as an art criticism movement. But if the article doesn’t get enough ad clicks, what do you do?
in "Matt Chats: Daniel Elkin and Alex Hoffman on their new comics criticism venture SOLRAD" 21 jan 2020

Mil-e-uma opiniões do que fazer que também ninguém nos pediu, podem inferi-las do zine que têm em mãos. E fechamos regressando aos editores de públicos e leitores. Do WP uma distinção a fazer sem juízos de - cof cof - valor:

“Clickbait” is a term of derision, but I use it in the neutral sense of “stories people actually read, as opposed to stories that editors believe that people should read but that numbers show most people do not actually read.”
in "How the Washington Post pulled off the hardest trick in journalism" 23 jan 2020

...a complementar dO Guardião:

Journalism has always been self-interested, but it has done, and still does, a lot of collateral good.
in "What is journalism for? In today’s world, here are four key purposes " 17 nov 2019

A relatividade desse bem colateral a única redenção aos editores dos gostos dos outros. Uma relação complicada, mas não são todas?

a favor