OS POSITIVOS

os comics são modernos

O Que Os Comics Dizem da Vida Urbana Moderna de Benjamin Fraser, "professor of Spanish and head of the Department of Spanish and Portuguese at the University of Arizona", autor do "Visible Cities, Global Comics: Urban Images and Spatial Form" pela University Press of Mississippi: porque não? Cruzando vários tópicos "from urban studies and media culture to mobility studies and continental philosophy", o nosso highlight para arranque de conversas:

Comics studies are definitely on the rise. Here are a few unorganized thoughts

I would say that comics are out-of-sync, in a good way, with contemporary discourse. There’s the idea some have that the increasing speed of contemporary life has led to a perceived shorting of our attention spans, an idea that is accepted all too easily I think. Comics are a compelling counterexample – they are an immersive experience requiring high levels of sustained attention. Their narrative complexity even invites re-reading. Regardless of format, I think comics creators today are narrating some of the most compelling stories about the social value of human difference, about what is at stake in the struggles still unfolding in our cities and in our shared world.
in "What Comics Say About Modern Urban Life – An Interview With Professor Benjamin Fraser on His Book ‘Visible Cities, Global Comics: Urban Images and Spatial Form’" 11 dez 2019

Dos formatos, complicando, diferenciando e voltando a juntar tudo naqueles temas que nos esperam...

Digital comics are now prevalent — in the book I write about Raquel Córcoles in Spain, some regard her as a pioneer of webcomics. But I think some would probably say that the tactile nature of print comics has something to do with their popularity, too.
in "What Comics Say About Modern Urban Life – An Interview With Professor Benjamin Fraser on His Book ‘Visible Cities, Global Comics: Urban Images and Spatial Form’" 11 dez 2019

Do contra culto — sublinhado nosso — e academia, ao valor social das diferenças humanas, da américa e espanha para a américa espanhola, da cidade para o campo: segway à segunda obra em revoluções com as reformas agrárias no Peru de meio do século passado, "over half a century since left-wing populist (General) Juan Velasco Alvarado led a military coup d'etat in Peru and brought the Revolutionary Government of the Armed Forces to power" por Carla Sagástegui e Jesús Cossio, primeiro volume de "Ya nadie te sacará de tu tierra":

because of comics’ accessibility as a medium

A typical example of comics journalism, mostly focused on the socio-political-economic forces that were at play, a radical project sought to overthrow the haciendas, a Latin American incarnation of European feudalism [...] our project was born as a comic because it is the comic form that our publisher, Contracultura, promotes as a medium that can well represent the topics that we wish to depict, as well as being an entertaining one. I personally see in the comics medium more possibilities than obstacles, because it can be published sequentially and over a long amount of time, which is very different from academic articles which are published once and long after they’ve been written.
in "Re-Writing the Revolution: In Conversation with Jesús Cossio and Carla Sagástegui" 12 dez 2019

Já o dissemos demasiadas vezes antes, não excluindo outras frentes temos especial carinho a recordar a BD como entretenimento às massas revolucionárias. E de modelos feudais sul-americanos, "haciendas and enslaved farmers", e já depois de recentemente termos visitado os quilombos brasileiros de origem angolana com edição 'tuga, saltamos atlântico e chegados à última obra para hoje, agora Guiné, com nota a "O Pesadelo de Obi" por autores que se querem anónimos, publicado entre nós pela Tigre de Papel.

Uma obra que tem como objectivo a denúncia e o ataque ao regime do presidente da Guiné Equatorial, protagonista involuntário da obra.
in "O Pesadelo de Obi" 10 dez 2019

Como os anteriores, não lemos — whaaa? — mas dizem-nos que foi "bem servido por uma campanha que o mediatizou para além do expectável", e "teve as primeiras edições em Espanha e nos EUA e depois foi distribuída clandestinamente naquele país africano", "surpresa" que não deve "ao seu grafismo, com limitações, quer no traço caricatural utilizado, pouco expressivo, com desequilíbrios no tratamento da figura humana e a que parece ter faltado tempo para ser devidamente finalizado, quer na definição dos cenários, (quase) sempre demasiado vazios" — e aqui pausa para recordar se estiverem confusos: quem o escreve está a promover a obra, patrocínio apreciado pela própria editora que no seu sítio oficial agradece com ligação à prosa com (duplo) destaque ao destaque feito.


Terminaríamos aqui as nossas pistas em comics, out-of-sync, in a good way, que muito nos dizem de cultura urbana contemporânea e valores sociais de diferentes humanos, uma miscigenação que como tantas outras, louvamos. Mas arriscando que o increasing speed of contemporary life não vos has led to a shorting of our attention spans, um extra cent à vossa ponderação. Subjacente às três peças, tão distintas entre si, une-as nos nossos propósitos o banda desenhada da equação. Não fosse essa sua natureza pouco teríamos a comentar, menos ainda os senhores que as divulgaram, e os seus criadores privados de suporte à obra. Todavia, o nosso take final vai justamente ao além da BD que tão bem podemos ilustrar pelo pesadelo da tigre no papel. Apesar de todas as falhas apontadas uma história de sucesso, e pelo menos num aspecto importante concordamos e aproveitamos para reforçar. Qualquer banda desenhada publicada por editoras longe de serem confundidas ao rol das casas especializadas deste meio promovem a bonecada para lá do mercado dos bonecos, as suas histórias encontram outros públicos, o seu formato torna-se um de muitos possíveis, simultaneamente secundado ao seu teor e, nesse passe de magia, elevado-o acima do habitual estigma que encerra estes feudos. A BD torna-se estilo, um tom, uma linguagem com more possibilities than obstacles, verdadeiramente um meio, não mero fim.

pessoal velho