OS POSITIVOS

a morrer de velho

No momento que escrevo está a desenrolar-se uma perigosa contenda a respeito do petróleo do Irão. Os persas dizem que lhes pertence, os ingleses e os americanos afirmam o mesmo, e os russos, por detrás da cena, esperam que no fim ele acabará por lhe cair nas mãos.

Da contemporaneidade do texto: publicado em 1951, escrito antes, algumas realidades parecem ser para sempre. Continuando da coincidência de timmings e tentando manter à distância aqueles humores que nos vão puxar abaixo mais-dia-menos-dia, segue-se a nossa conclusão à conclusão do “A Última Oportunidade do Homem” do Bertrand Russell.

Ele: das razões do medo e medo da morte, nós: menos medo mais certezas, mas acaba tudo igual mesmo quando seguimos caminhos diferentes.

Neste livro não insisti muito nas razões do medo. O nosso mundo vive demasiado sob a tirania do medo e insistir em mostrar-lhe os perigos que o ameaçam só pode conduzi-lo à apatia da desesperança. O contrário é preciso: criar motivos racionais de esperança, razões positivas de viver. Precisamos de ser mais afirmativos do que negativos. Se insistirmos em demasia nos negativos, nunca sairemos do desespero.

Se os jovens sentir-se-ão, “com razão”, “na amargura do pensamento”,  “defraudados do que melhor a vida lhes podia oferecer”, não é o caso a quem nasce velho e não volta atrás. Da “arte de envelhecer”:

Nesse campo, uma longa experiência é realmente proveitosa.

Creio que uma velhice feliz é mais fácil para os que têm fortes interesses impessoais que impliquem actividades apropriadas [que possam] aumentar gradualmente as nossas preocupações, torná-las cada vez mais impessoais, até ao momento em que, a pouco e pouco, os limites da nossa personalidade recuem e a nossa vida mergulha mais ainda na vida universal. O homem que na velhice pode ver a vida desta maneira não receará a morte, pois as coisas que lhe interessam continuam. O pensamento do que subsiste não será desagradável sabendo que outros continuarão a sua missão interrompida e contente por pensar que terá feito o que lhe era possível fazer.

Às continuações e fazer o que é possível, e porque este é um espaço para quem não quer uma existência sossegada -

Aqueles que desejam ter sempre uma vida ardente e desgostam quando passam uma existência sossegada, poderão encontrar um derivativo suficiente em qualquer trabalho verdadeiramente árduo, no domínio da investigação científica ou da criação artística.

- nota aos cómicos e trabalhos verdadeiramente árduos. Desalinhados e desenhados, precisam-se “indivíduos cujas obras seriam demasiado anárquicas ou contrárias à moda para poderem ganhar a aprovação dos próprios jovens”. A confusão em bd, as crianças, dos que nascem pequenos e assim morrerem por escolha, e zines do contra em missão.

O outro perigo a evitar é o de nos agarramos em demasia à juventude, na esperança de tirar algum vigor da sua vitalidade.

Falei nos capítulos anteriores do papel da educação para prevenir o desenvolvimento das angustias que a psicanálise põe a descoberto. Um povo que seja inteligentemente dirigido na juventude será menos acessível aos sentimentos de hostilidade do que é hoje a maior parte do mundo.

O espírito regimental e a uniformidade são perigos que um mundo industrial organizado pode temer e contra os quais se têm de tomar medidas adequadas. Deve haver oportunidades para os indivíduos excepcionais, poetas ou artistas, que provavelmente nunca conseguirão obter a aprovação de burocratas idosos – academias para tais homens [onde] não se pudesse eleger para tal academia senão homens  com menos de vinte e cinco anos e reservariam o direito de voto aos membros que não tivessem ultrapassado os trinta e cinco. Um tal regulamento evitaria que a academia se tornasse uma coleção de velhos caturras, como frequentemente são.

Anyhooo, podemos ter divagado ali um bocado, let’s wrap it up, shall we?

O mundo que eu visiono pode ser não somente feliz mas também glorioso.

O homem hoje, para ser salvo, só tem necessidade de uma coisa: abrir o coração à alegria e deixar o medo gritar nas trevas vacilantes de um passado esquecido. Precisa erguer os olhos e dizer “Não, não sou um miserável pecador. Sou um ser que, por uma estrada longa e penosa, descobriu como a inteligência pode vencer os obstáculos  naturais, como viver na liberdade e na alegria, em paz consigo próprio e portanto com a humanidade inteira”. Será assim se os homens preferirem a alegria à tristeza. Caso contrário, uma morte eterna sepultá-los-á num esquecimento merecido.

OS POSITIVOS: we made our peace, aquilo das preferências, não trazemos a paz nem a espada, a nossa arma (e guerra) é o humor e depressão. Nesse tópico, reparo final: o título e texto só nos falam “dos homens”, talvez toda uma outra história quando se metem as gaijas? Vamos supor.

( and thiz series crosses topics here all tha way here )

ruínas