OS POSITIVOS

jornalista mau

Porque as nossas últimas entradas têm um certo valor informativo acrescentado que poderão levar os leitores mais incautos a interpretar erroneamente a natureza deste projecto, metemos travões a fundo para esta incursão em universos paralelos. Uma peça recente de JPP explica a necessidade deste reposicionamento consciente de atitudes.

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"No jornalismo o mais importante é a informação" 12 jan 2019

Um dos problemas do jornalismo contemporâneo português é a sua pouca atenção à informação e a sua substituição pela opinião.

Ora o que se está a passar é uma contínua degradação da informação e, pior do que isso, da “vontade de informar”, em detrimento de uma informação opinativa, uma forma de “narrativa” que envolve subjectivamente o seu autor naquilo que relata, e o prende a uma sucessão de opiniões e a uma escassez ou deturpação de informações.

Quem cobre um partido, ou uma área da cultura, ou do espectáculo, ou uma manifestação de rua, é hoje pouco mais do que um jornalista ou dois, [e] esse(s) jornalista(s) é (são) “especializado(s)” num assunto, o que em si é positivo, mas detêm o controlo da “narrativa” sobre esse assunto, o que é mau. Isto soma-se ao efeito do “jornalismo de rebanho” que isola as opiniões solitárias e tende a uniformizar o produto final, e a diminuir o pluralismo.

Se diz que um autor ou um artista são muito bons, muito dificilmente dirá que são maus, mesmo que as suas obras futuras sejam de inferior qualidade. O mesmo se passa com a apreciação das pessoas em que factores de simpatia ou antipatia são inevitáveis e acabam por condicionar a "narrativa".

O que acontece é que se algum facto ou actuação colocar em causa a apreciação jornalística, quem fica em causa é também o jornalista, porque algures cometeu um erro de julgamento ou de apreciação, ou porque se envolveu tanto com uma opinião pessoal ou de grupo, que não pode, consegue ou deseja sair desse casulo em que se meteu. E é por isso que as "narrativas" não mudam, porque há uma resistência psicológica à mudança, quando ela põe em causa todo um perfil, toda uma série de apreciações, toda uma sucessão de opiniões.

Com a solidificação da “narrativa”, os factos deixam de contar porque colocam em causa a apreciação que o jornalista tem feito, nalguns casos de há muito tempo para cá. Não é difícil fazer uma lista de amizades, ódios, gostos e desgostos, em que se percebe bem demais a simpatia ou a antipatia em todas as áreas do jornalismo.

No caso dos jornalistas individuais, isto pode ser psicologicamente compreensível, mas é mau jornalismo.

retalhado para brevidade

Culpados como acusados, na parte onde o autor se envolve subjectivamente com o que relata. Mas um chapéu que serve a outros, façam o exercício de reler no âmbito dos cómicos. Familiar? Familiar. Quanto mais autoridade à matéria, maior o perigo, mais silenciadas são as vozes discordantes. Uma praga na BD em PT. OS POSITIVOS: a lutar contra as narrativas oficiais e oficiosas desde – bem, eramos novinhos quando o começamos!...

Nota: há um ponto a separar o "praga da bd em pt" e OS POSITIVOS. Pode passar despercebido, mas está lá.

Porque detestamos a espécie -os jornalistas- não queremos repetir erros e mergulhamos de cabeça em algo inaudito neste espaço: passaremos palavra ao outro lado da barricada. Senhores, provem-nos errados.

waitin'... dude better not leave me hanging

estamos certos