OS POSITIVOS

identidades ressentidas

Da BD a multiculturalismos como "programa político que procurava valorizar igualmente cada diferente cultura e cada experiência vivida e em particular aquelas que tinham sido invisíveis ou substimadas no passado", um pequeno passo.

Perdoem-nos a demora: a imagem acima é mais sentida com o fecho das eleições no Brasil + click-bait descarado ao tráfego neste espaço cultural do contra - as visitas disparam quando os combinamos tópicos ao universo Chili com Carne.

A nova ideologia do multiculturalismo promovia o respeito para culturas, mesmo se essas culturas limitavam a autonomia dos indíviduos que participavam nelas.
Francis Fukuyama, "Identidades, a exigência de dignidade e a política do ressentimento" 2018

Passo tão pequeno, mas suficiente para nos aborrecer de ir até à Amadora. Continuemos então de assuntos mais sérios.

Central às nossas teses: autenticidade. E quiseram as musas em ironias do destino que encontrássemos de entre todos os manifestos escrutinados neste último par de anos o postulante mais próximo às nossas teses no "Identidades" 2018 de Francis Fukuyama – com todas as insuficiências que certamente nos ocuparão em ocasião futura: não nos incomoda a sua timeline, mas as interpretações que retira dessa.

Da literatura varrida repete-se o conceito base em mais páginas que as desejadas para nosso conforto, invariavelmente cruzada à política, da dura, propriamente dita, e às suas variantes softs: políticas de identidade, cultura. Enunciam-se igualmente o rol de suspeitos habituais pós-alvoradas, com cite directo a Walter Benjamim entre muitas outras sobreposições em frentes comuns. Pesem as insuficiências acusadas atrás, de todos o que mais se arrisca a desvendar intenções e sentidos que perseguimos em webcomics et punx.

Que ainda consigamos estar em território virgem entre a academia bem pensante uma agradável surpresa muito além da nossa expectativa e receios constantes. Mas se tomarmos a popularidade de um "Identidades" como presságio de novas leituras à realidade a trilhar caminho entre tão reles criaturas, desconfiamos que até os nosso críticos culturais de serviço tropeçarão eventualmente na mesma nublosa que nos ocupa de comics, cultura popular e, ao caso, chamemos-lhe, políticas identitárias. Como o click-bait inicial, o subtítulo dá-se a ares de graça quando devolvido aos cómicos: "A exigência de dignidade e a política do ressentimento". Senhores...?

Obrigados novamente a fechar capítulo e ocultar desígnios: continuaremos de práticas que não terão substantivo teórico nestas páginas. Cite final para o Francisco, aquele que nos importa, não o que trata/não-trata de física quântica e outras envolvências do indivíduo:

A identidade nasce, em primeiro lugar, da distinção entre o nosso eu interior e um mundo exterior de regras e normas sociais que não reconhecem adequadamente o valor ou dignidade do nosso eu interior. Em toda a história do homem tem havido pessoas em desacordo com as suas sociedades. Mas só nos tempos modernos tem ganhado força a ideia moderna de que o eu interior autêntico é intrinsecamente valioso e que a sociedade exterior sistematicamente erra e é injusta na sua avaliação do primeiro. Não é o eu interior que deve ser obrigado a conformar-se com as regras da sociedade, mas a própria sociedade que precisa de mudar.
Francis Fukuyama, "Identidades, a exigência de dignidade e a política do ressentimento" 2018

Tão perto, mas tão longe. Dig deeper.