sempre um desafio

hum... esta página já tem alguns anos (2017).
E se procurasses alguma coisa mais recente ?

Damos a volta maior, mas "'tá tudo ligado, folks, compreendam isso".


5 de outubro e cenas, implantação da República, uma narrativa poderosa per se. Duas notas de peças (*) Dupla dose de BKs: Ben Katchor e o Bill Kartalopoulos, e não vos querendo aborrecer com aquilo das coincidências mas depois de os reforçarmos individualmente entre OS POSITIVOS, provavelmente nas únicas referências nacionais que lhes encontram no ano que passa, surgem agora os dois juntos no Best American 2017? OS POSITIVOS: vai por nós. publicadas nesse dia, unrelated, comics-wise.

A popularidade da BD:

We have already reached the point where you can just as easily consider taking a cooking class, or a yoga workshop, or a comics-making workshop.
in "'The Best American Comics 2017,’ Editor, Ben Katchor; Series Editor, Bill Kartalopoulos" 5 out 2017

E a necessidade de criar:

We are all here for the love, even when we’re frustrated we’re not gonna quit.Creative people, to survive we really need to create... that hamster wheel never shuts down.
in "A Comics Id is Tenderness: Notes on Cartoon Crossroads 2017" 5 out 2017

Verdade, como a conclusão do excerto acima que o autor imediatamente acrescenta:

But tethering that to real life is always a challenge to me
in "A Comics Id is Tenderness: Notes on Cartoon Crossroads 2017" 5 out 2017

É desse desafio que novamente nos ocupamos. Mesmo dia, tópico ligeiramente diferente, mas... mesmo? Adoção massiva e popular, criação de conteúdos e outras vozes que combinam texto e imagem, e desafios da vida real: in digitalis.

So 20% of the world or less shapes our understanding of 80% of the world.

We recently passed a milestone in the history of human connectivity – people online now make up the majority of the world’s population. This has largely gone unnoticed, but it is an important moment. The networking of humanity is no longer confined to a few economically prosperous parts of the world.

For the first time in history, we are creating a truly global and accessible communication network. However, while access to the internet is quickly being democratised, web content remains heavily skewed towards rich, western countries.
in "We’re all connected now, so why is the internet so white and western?" 5 out 2017

The internet could well serve as a digital space that reflects and produces the richness of our world’s multiple forms of knowledge, through a combination of text, voice and visuals. Those of us who make up most of the world need to bring our information and knowledge online, and all of us – wherever we are from – need to help make it happen.
in "We’re all connected now, so why is the internet so white and western?" 5 out 2017

Finalmente, enter punx, um magic number dias depois:

The neoliberal state, contracting, competitive tendering and the audit culture — in the process, much of the creative potential of civil society has been lost

Technological change has radically changed the structure of the economy and society.

The economic value of the internet as a whole depends entirely on its content, much of which (Facebook and blog posts, Twitter, personal and group websites and so on) is produced by users rather than for economic return. The internet and the information economy have broken the link between productive activity and market returns. Information is a pure public good, which can be shared again and again with no additional costs. So the production of information (ranging from scientific research to Instagram pictures) has potentially huge social value. The fact that information is naturally a public good creates a huge potential for economic and social benefits of which we have realised only a small fraction.

On the other hand, the market value of internet activity depends, almost entirely, on the ease with which it can be packaged up with commercial advertising – meaning access is artificially constrained. The combination of strong intellectual property laws and reliance on advertising to finance internet content mean that our access to information is artificially constrained.
in "Socialism with a spine: the only 21st century alternative" 8 out 2017


O excerto anterior é retirado de uma peça que tenta sugerir um novo modo de pensar o socialismo, actualmente em processo de retorno ao realm das possibilidades. Este é um ano de muitos regressos, mas cremos que no caso se trata mesmo da evolução natural e não um passo atrás. Algures nesta peça, este exerto:

For most of the current political class whose ideas were formed in the last decades of the 20th century, the superiority of markets over governments is an assumption so deeply ingrained that it is not even recognised as an assumption. Rather, it is part of the "common sense" that "everyone knows".
in "Socialism with a spine: the only 21st century alternative" 8 out 2017

Esse senso comum que toda a gente sabe mas passa de moda recorda-nos a crónica de ontem de Rui Tavares, aplicado ao caso de nacionalismos e identidades:

Quanto mais vociferante é o nacionalismo, mas evidente se torna a sua crise. Isto não corresponde a negar a importância da identidade, do sentimento de pertença, da constituição de redes de solidariedade comunal que por vezes coincidiram com as fronteiras das nações e/ou com as jurisdições dos estados. (...) Mas isso também não me permite negar a evidência de que o contrato entre povo, Estado e nação, dominante nos últimos 200 anos, passa agora por uma crise profunda. Antes, o contrato dominante nas cabeças das pessoas e na mentalidade coletiva era o que se pensava ter sido estabelecido entre súbditos, rei e Deus. Se alguma coisa de errado acontecia, havia apenas que reforçar a fé em Deus e a obediência ao rei. O contrato povo-nação-Estado moderno (...) começou a nascer [quando] o contrato anterior não dava resposta à nova realidade. Estamos um pouco na mesma situação. O nosso contrato vigente povo-Estado-nação não chega para dar resposta às grandes perguntas: como redistribuir recursos à escala global?
in "Qual estado, qual nação?" 9 out 2017

Termina o autor de encontro às nossas teses.

Enquanto os esboços de um contrato humanidade-planeta-tecnologia não estiverem mais claros, ainda vai haver muita gente a jurar pelo contrato anterior.
in "Qual estado, qual nação?" 9 out 2017

Nós, como outros, já trabalhamos à luz de um novo contrato. Do fine print deste, totalmente a despropósito se não acreditas que está mesmo tudo ligado, comics-wise, dois dias antes:

On the topic of "Identity."

Identity is performative and fluid,if people were more accepting of multiple and fluid identities, we could have a lot more empathy and understanding in the world. Thanks to the net (...) its easier for us to access different representations and stories.

There’s been some studies that have argued that our propensity for fiction is actually an evolutionary device, as it allows us to gain knowledge and experience is a ‘safe’ way, and one that is memorable and easily transmitted. We learn through fiction, and part of what we learn is how to be ourselves. So if we see or are exposed to repeated depictions of people like us, positive or negative, that can colour the way we approach situations or the way we expect to get treated. If that depiction is picked up in the wider culture, it can very much influence how we are treated. Fiction is hugely powerful. Comics especially, because of the mixture of text and imagery, are very direct forms of communication.
in "S.M.A.S.H. LSCC COMIC CON / 2017 / Pitches" 7 out 2017

Narrativas. E, caso não seja óbvio — cada vez mais perto de lá chegarmos, não tivessemos ocupados noutras frentes... —, autenticidade.

miss takes